Eletrochoque ou eletroconvulsoterapia: conheça o tratamento biológico mais eficaz contra a depressão resistente.

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento clínico psiquiátrico que envolve a indução de uma crise convulsiva por meio de uma corrente elétrica. Em 1938 os neuropsiquiatras Ugo Cerletti e Lucio Bini consolidaram a ideia de usar a eletricidade para estimular uma convulsão no tratamento de certas condições psiquiátricas. Nessa época, a eletroconvulsoteria era conhecida por eletrochoque.

A ECT começou a ser usada para tratar quadros graves de esquizofrenia. Sua eficácia foi atestada anos mais tarde também no tratamento da depressão e outros transtornos afetivos. Apesar de ser o tratamento biológico mais eficaz no tratamento da depressão e de ser muito seguro, sua aplicação é limitada a casos refratários aos medicamentos.

A ECT é erroneamente associada à tortura, dor e é tida como forma desumana de castigo e punição. Essa visão foi formada por filmes que ajudaram a dar forma ao preconceito em relação ao tratamento.

Ao contrário do retratado pelas artes dramáticas, o uso da ECT envolve:

- uma avaliação clínica prévia muito cuidadosa, com diversos exames clínicos, de imagem e laboratoriais;
- indução anestésica;
- uso de relaxantes musculares para que a crise seja leve;
- um período de recuperação pós-anestésico.

O tratamento pode ser realizado em um hospital ou instituição psiquiátrica em regime de internação integral ou ainda em nível ambulatorial, dependendo da gravidade. É necessário o consentimento por escrito do paciente para a sua realização. Envolve de duas a três sessões semanais (em um total de seis a 12), ao longo de duas a quatro semanas.

O principal efeito adverso que pode ocorrer é o prejuízo da memória, eventualmente com duração de alguns meses. Por este motivo, a ECT é reservada como última opção, particularmente em pacientes com depressão resistente ao tratamento, ou em casos mais graves com sintomas psicóticos e/ou ideação suicida.

Entretanto, a ECT não causa nenhum dano cerebral e pode prevenir alterações no funcionamento e estrutura do cérebro causadas pela cronicidade da depressão. Ela tem risco de mortalidade muitíssimo baixo, com entre uma e quatro mortes por 100.000 tratamentos, ou seja, o mesmo risco de se submeter a anestesia.

Mais do que 80% dos pacientes com depressão remitem completamente do quadro com o uso da ECT e a ECT melhora até 60% dos pacientes que NÃO responderam ao uso de vários medicamentos ou psicoterapia.

Depoimentos:

Fale conosco:

* Preenchimento obrigatório

Matérias relacionadas: