Demência com Corpos de Lewy

A Demência com Corpos de Lewy (DCL) ou doença difusa com corpos de Lewy, é cada vez mais reconhecida como uma causa frequente da demência no idoso. O quadro clínico típico de apresentação é de uma demência flutuante, com déficits proeminentes de atenção, tarefas executivas frontais e habilidades visioespaciais. Portanto, o perfil cognitivo tem tantas características frontais, quanto subcorticiais (Cummings, 1986).

Clinicamente a DCL é definida por:

- Demência de pelo menos seis meses de duração, acompanha por períodos de confusão, alucinações (especialmente visuais) e quedas frequentes;

- Sinais extrapiramidais espontâneos, tais como rigidez ou lentidão e pobreza de movimento (bradicinesia);

- Maior sensibilidade aos neurolépticos e progressão mais rápida.

Na Demência com Corpos de Lewy, as alucinações são relacionadas à atividade colinérgica neocortical. Assim, nesses pacientes a melhora da atividade colinérgica é considerada um tratamento mais satisfatório. Por isso, o papel dos inibidores da colinesterase, na DCL, tem estimulado as pesquisas e os primeiros trabalhos sugerem que os pacientes com esse tipo de demência podem apresentar uma resposta mais pronunciada a esses compostos, possivelmente relacionada ao déficit significativo na colina acetiltransferase (McKeith, 2000).

Apresentação

A iniciativa da consulta geralmente parte dos cuidadores ou parentes dos pacientes com demência e não dos próprios pacientes. Às vezes o quadro se evidencia depois de algum esforço emocional adaptativo, como por exemplo: depois da internação hospitalar para tratar de outra coisa, mudança de casa, mudança de situação econômica, familiar ou ocupacional, etc.

As queixas iniciais típicas incluem um comprometimento variável da memória, dificuldade com as palavras, prejuízo nos cuidados pessoais, dificuldades em cuidar das finanças ou no desempenho profissional, mudanças de personalidade ou do humor, retraimento social ou comportamento incaracterístico. O paciente, por sua vez, subestima o problema ou não acha que exista algo errado com ele.

O histórico psiquiátrico e sintomas atuais de depressão são de particular relevância, já que a pseudo demência depressiva é uma causa comum no diagnóstico diferencial. História de uso de drogas e medicamentos, ingestão de álcool e ferimentos recentes na cabeça são informações importantes, já que se relacionam a ocorrência de demência.

A finalidade inicial do diagnóstico por neuroimagem na Doença de Alzheimer é descartar causas físicas e anatômicas tratáveis da demência, como por exemplo, um hematoma subdural, tumores e hidrocefalia de pressão normal. Uma tomografia computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM) devem ser realizadas rotineiramente para descartar causas reversíveis.

A detecção de anormalidades características na Doença de Alzheimer e outras demências neurodegenerativas, tanto no diagnóstico por imagem de RM ou TC quanto no diagnóstico por imagem funcional, com SPECT e TEP, também é útil no diagnóstico diferencial. A RM é particularmente útil no diagnóstico de Demência Vascular.

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